Carros que contam histórias

Carros que contam histórias

Os automóveis expostos estão inseridos em três eixos que remetem a memória coletiva dos brasileiros. Agrupados com novos significados e como símbolo de paixão, estão o Palio Weekend do Pentacampeonato Mundial da Seleção Brasileira, com autógrafos dos então jogadores campeões e o Fiat Idea, utilizado pelo Papa Francisco em sua vinda ao Brasil em 2013. Entre as surpresas da exposição está também o Fiat Uno, do acervo de Adriane Galisteu, presente de Ayrton Senna para ela nos anos 90. Ao guardar lembranças íntimas, essa história revela como os automóveis aumentam seu valor emocional a partir de experiências únicas e históricas.

Peter Fassbender, curador, ressalta o design como elemento central dessa narrativa, revelando sua capacidade de antecipar comportamentos, responder aos desafios de seu tempo e imaginar novas formas de mobilidade.

Pela primeira vez na Casa Fiat de Cultura, a montagem se estende para o ambiente aberto dos seus jardins, onde foram construídas cápsulas que integram natureza, arte e design. Ao redor, automóveis emblemáticos acompanham essa travessia e reafirmam seu papel como expressão de inovação e transformação, reunindo em suas formas memórias, originalidade e a constante capacidade de se reinventar.

Nestes espaços estão carros icônicos como o Fiat 147, primeiro exemplar do pioneirismo em produzir um veículo à álcool (hoje etanol) e símbolo de um novo capítulo da indústria nacional e da democratização do acesso ao automóvel. Um exemplar do Fiat Palio, também em exibição, mostra seu protagonismo de ser o primeiro carro produzido pela Fiat no Brasil e vendido em diversos lugares do mundo.

“Os automóveis que integram a exposição não são apresentados apenas como objetos de design ou marcos tecnológicos. Cada um deles carrega histórias e experiências que ajudam a compreender diferentes momentos da sociedade brasileira. Eles falam sobre trabalho, lazer, fé, conquistas, sonhos e modos de viver que atravessaram gerações”, afirma Marcos Rozen, curador da exposição e fundador do Museu da Imprensa Automotiva.

Junto aos automóveis, o artista pernambucano Derlon aborda o futuro com uma obra criada exclusivamente para a exposição. Com linguagem de xilogravura e grafite, ele conduz o olhar para uma paisagem que projeta o amanhã a partir de valores ancestrais, da simplicidade, da diversidade e da interação entre as pessoas.

Também estão em destaque carros-conceito como o Fiat Dolce Camper, exibido pela primeira vez para o público em Minas Gerais, e o Fiat Mio, desenvolvido de maneira colaborativa em 2010 contando com sugestões de mais de 17 mil pessoas de 160 países. O veículo materializa ideias e transformações que ajudam a pensar a relação entre tecnologia e sustentabilidade.

Ainda sobre o olhar para o futuro, no espaço do Dolce Camper são apresentados três objetos conceituais criados pelo Design Center South America: um circulador de ar, uma luminária e uma cafeteira. As peças partem da linguagem contemporânea da marca para investigar como seus princípios formais, materiais e emocionais podem habitar novas escalas e usos. Mais do que exercícios de estilo, revelam o design como uma forma de presença no cotidiano, capaz de traduzir valores e ampliar sentidos.

Nesse contexto, o design deixa de estar restrito ao automóvel e passa a ocupar a casa, o tempo e os gestos diários, abrindo novas possibilidades para o que a Fiat pode representar hoje. O circulador de ar nasce de um volume geométrico puro envolto por superfícies ritmadas, unindo simplicidade, funcionalidade e clareza visual. A repetição cria profundidade e transforma sua função em expressão. A luminária articula volumes alongados conectados que dialogam com referências históricas da marca. A luz revela uma presença acolhedora e evidencia a capacidade de reinventar sua identidade em novos contextos. A cafeteira assume forma prismática e direta, com uma construção essencial que reflete seu uso. A ausência de excessos valoriza gesto, rotina e reconhecimento, convertendo um objeto cotidiano em símbolo.

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Atendimento acessível sob demanda, mediante disponibilidade da equipe.

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