Em um outro eixo, a moda emerge como um espelho sensível do tempo — tão reveladora quanto o próprio design automotivo. Assim como os carros traduzem escolhas estéticas, avanços tecnológicos e desejos coletivos de uma época. Cada tecido, corte e criação carrega intenções: afirma pertencimentos, manifesta forças e projeta futuros possíveis.
A presença da Fiat no Brasil sempre ultrapassou o universo da mobilidade. Ao longo de sua trajetória no país, a marca estabeleceu diálogos com o design, a arquitetura, a arte e a moda, reconhecendo a criação como parte fundamental da cultura contemporânea. Nos anos 2000, a Fiat aproximou-se de iniciativas ligadas à moda autoral brasileira, apoiando estilistas, eventos e projetos que contribuíram para a consolidação do setor.
Este núcleo propõe um percurso pela criatividade brasileira e por sua capacidade de transformar referências culturais, tradições populares, saberes artesanais e experiências urbanas em expressão estética. As peças dialogam com diferentes momentos da história do país, nas últimas cinco décadas, e revelam como o vestir também se tornou uma forma de ocupar espaços e construir narrativas coletivas.
Ao revisitar suas raízes e atravessar constantes transformações, a moda brasileira se afirma, cada vez mais, como linguagem própria — conectada às ruas, aos corpos e à diversidade que define o país. É um movimento que valoriza a criação nacional e desloca o olhar de referências externas para uma estética que nasce da experiência brasileira, de seus contrastes, cores e afetos.
Nas passarelas, esse gesto se amplia e ganha corpo. Grandes nomes da moda brasileira apresentam não apenas roupas, mas visões de mundo — criações que antecipam o futuro, tensionam o presente e ressignificam o passado. Assim como no design automotivo, pensar adiante é imaginar novos caminhos e propor, por meio da forma, outras maneiras de viver, circular e se expressar.
Reunindo 17 looks de importantes criadores nacionais, a exposição evidencia a força dessa produção ao destacar nomes fundamentais para a consolidação da moda brasileira dentro e fora do país, como Lino Villaventura, André Lima, Graça Ottoni, Terezinha Santos, Ronaldo Fraga, Juan Nakao, João Pimenta, Cavalera, Lenny Niemeyer, Osklen, Patricia Vieira, Apartamento 03, PatBO, Flavia Aranha, Day Molina (Nalimo) e Marina Bitu. Mais do que reunir peças, o conjunto revela diferentes perspectivas sobre a brasilidade — múltiplas leituras que atravessam raízes, transformações e projeções de futuro, reafirmando a moda como linguagem potente de identidade, escolha e posicionamento.
“A moda é uma expressão viva da cultura. Ela traduz comportamentos, registra transformações sociais e revela a maneira como nos relacionamos com o tempo, o território e a nossa própria identidade. Neste núcleo, cada criação ajuda a contar uma história sobre o Brasil e sobre as múltiplas formas de viver e ocupar o espaço público”, afirma Mercedes Tristão, responsável pela curadoria de moda da exposição.
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