
Aos 60 anos, Niki de Saint Phalle reinventou sua arte na Califórnia. Em 1993, ela iniciou o seu Diário da Califórnia: um registro visual intenso e colorido dos seus dias, cheio de desenhos, relatos e serigrafias que revelam tanto encantamento quanto inquietações.
Nesse diário, Niki misturava memórias pessoais, figuras de sua obra — como cobras, aranhas e as Nanas — e impressões sobre o lugar onde viveu: as paisagens, as pessoas, o estilo de vida… mas também reflexões sobre violência, racismo e desigualdade, temas que a atravessaram profundamente por ter uma família multirracial.

(texto de cima para baixo, da esquerda para a direita)
Querido Diário
Marina chegou. Eu a levei ao deserto de Borrego.
Lá vimos traços maravilhosos, rochas, fendas do deserto.
Tivemos uma visão extraordinária. Ali estava
a poderosa RAINHA AMAZONA, que governava
a Califórnia na Lenda.
AQUI
ELA
ESTAVA.
Califia se sente esquecida.
Ninguém está pedindo sua proteção.
Quando ela se irrita, envia terremotos.
Ela nos disse que quer um templo
construído em sua honra.
Seus Raios Mágicos penetram a Terra.
A rainha destemida domina os animais.
Rainha Califia faz amizade
com o deus do submundo.
Rainha Califia, atraída por ilhas e pedaços de
continentes, fez com que se unissem e se agrupassem. A nova
terra formada tornou-se a CALIFÓRNIA.
(legendas das figuras, da esquerda para a direita)
senhor do submundo
cão azul
Rainha Califia
animal engraçado
aranha assustadora
Ganesh
Deus da Sorte
ambrosia
Comentário: O texto de Niki de Saint Phalle remete à história da Rainha Califia, lendária governante dessa ilha. Segundo a tradição, Califia reinava sobre um império sem homens e distribuía riquezas por onde passava. Foram necessários vários séculos para que o mundo reconhecesse que esse lugar de fato existia — mas não como uma ilha, e sim como uma terra habitada por homens e mulheres. Em 1776, justamente quando os Estados Unidos estavam sendo formados, exploradores espanhóis comprovaram de uma vez por todas que a Califórnia estava ligada a uma vasta massa continental na América do Norte e era povoada por ambos os sexos.
Commentary: Niki de Saint Phalle’s text refers to the story of Queen Califia, the legendary ruler of this island. According to tradition, Califia reigned over an empire without men and distributed riches wherever she went. It took several centuries for the world to recognize that this place truly existed — but not as an island. Instead, it was a land inhabited by both men and women. In 1776, just as the United States was being formed, Spanish explorers proved once and for all that California was connected to a vast continental landmass in North America and was populated by both sexes.

TEMPERANÇA
CARTA Nº XVI
A temperança
é sobre a Energia que flui
com amor e tolerância.
O que as pessoas
querem dizer com “Politicamente Correto”??
Falam disso
o tempo todo. (lavagem cerebral)
Parece-me que Nada
que seja Político é Correto,
e Nada que seja Correto é Político.
Eu gostaria de fazer uma Escultura
representando a TEMPERANÇA em um campus.
A temperança não é FANÁTICA. SEM REGRAS.
Um conceito de UNIVERSALIDADE
Não na cabeça,
mas no CORAÇÃO.
Querido Diário,
13 de janeiro de 1994
Me preocupa qualquer sociedade que suprima a individualidade e pressione as pessoas a pensar e agir da mesma maneira.
(NÃO É PARA MIM!)
(texto curvo no lado direito)
Sou uma fanática anti-fanática.
(texto à esquerda com setas apontando para o corpo)
tolerância
igualdade
equilíbrio
compaixão
Comentário: nesta obra, Niki de Saint Phalle reflete sobre outra constante em sua produção: a carta do Tarô, Temperança. Para a artista, era esta a carta que mais a representava.
Commentary: in this work, Niki de Saint Phalle reflects on another recurring theme in her production: the Tarot card Temperance. For the artist, this was the card that best represented her.

(texto de cima para baixo, da esquerda para a direita)
Há uma estranha mistura aqui.
As árvores incríveis, gloriosa
Natureza, e por baixo de tudo
Esta violência!
Por que há tantos loucos aqui no paraíso?
Querido DIÁRIO,
passei muito tempo falando com Paul ao telefone
hoje, contando a ele sobre
O PARAÍSO?
Assistindo às notícias na TV. Uma HISTÓRIA DE HORROR
atrás da outra…
ESTUPROS
INCESTO Assassinos de Crianças
GANÂNCIA
Padres e Bispos acusados de Crimes Sexuais
Terror da violência
ABUSO infantil
A violência gera violência??
Nenhum ato de generosidade é mostrado
Na noite passada na cama
no apartamento de Ted
vi uma SOMBRA
passar pela janela.
ASSUSTADOR!
Meu CORAÇÃO começou
a disparar!
Seria o ESTUPRADOR
DA PRAIA DO PACÍFICO??
Ele já
violentou 46
mulheres!
e elas não…
Não, era apenas um gambá!
o urso do destino
SOCORRO! SOCORRO!
Estou aterrorizada
pelas notícias na TV.
Sensacionalismo
Valor de choque
VULGARIDADE
SANGUE
Excitação
perversa
(parte inferior central, texto em curvas em várias direções)
Por que as flores precisam morrer?
Eu amo focas
Campari Soda
Sim
Ovídio Amores
A biografia de Edith Wharton
(seta) vi uma barata
enormemente repugnante. Que covarde
eu sou. Eu gritei
eca!
senti tristeza
Claire está
tão doente
amizades
Por quê?
fui caminhar na praia de novo
senti que eu era uma onda,
um grão de areia,
parte dos raios
do
sol,
um surfista
Niki a erva daninha má
Quem é o monstro, você ou eu?
Comentário: Niki de Saint Phalle descreve a Califórnia como um lugar de “natureza gloriosa”, mas também marcado por uma violência difusa, presente tanto nos acontecimentos noticiados quanto no cotidiano. Dirigindo-se a Paul, seu filho, ela revela como a influência da mídia é central: o bombardeio constante de reportagens sobre estupros, incesto, crimes religiosos e assassinatos de crianças a perturba profundamente, ao mesmo tempo em que denuncia a espetacularização da violência — “sensacionalismo, impacto de choque, vulgaridade, sangue”.
No plano pessoal, ela se lembra de uma noite em que ficou aterrorizada, convencida de ter visto o “Estuprador da Praia do Pacífico” (um criminoso real da época), apenas para descobrir que era, na verdade, um simples gambá. O texto oscila entre reflexões íntimas e poéticas e momentos de terror, alternando-se com lampejos de leveza e beleza — o amor pela natureza, pelos animais, pela leitura (Ovídio, Edith Wharton), pelo Campari Soda e pelas caminhadas à beira-mar. O texto culmina em uma inquietante pergunta autorreflexiva: “Quem é o monstro, você ou eu?”, que desfaz as fronteiras entre vítima e agressor, inocência e culpa.
Commentary: Niki describes California as a place of “glorious nature,” yet one marked by pervasive violence, perceived both in news events and in everyday life. She addresses her son, Paul. The influence of the media is central: the relentless stream of reports on rapes, incest, religious crimes, and child murderers unsettles her, while she denounces the sensationalization of violence—“sensationalism, shock value, sleaze, gore.”
On a personal level, she recalls being terrified at night, convinced she had seen the “Pacific Beach Rapist” (a real criminal known at the time), only to discover it was just a skunk. Her writing alternates between intimate, poetic reflections and terror, shifting into moments of lightness and beauty—her love for nature, animals, reading (Ovid, Edith Wharton), Campari Soda, and walks along the beach. The text concludes with a disturbing, self-reflective question: “Who is the monster—you or me?” which destabilizes the boundary between victim and perpetrator, innocence and guilt.

(texto curvo contornando a imagem)
Hoje vi uma mulher gorda na praia e ela me lembrou uma grande deusa pagã.
(texto de cima para baixo, da esquerda para a direita)
Querido Diário,
O NEGRO
é diferente.
Fiz muitas
figuras negras
em meu trabalho.
Vênus Negra, Madona Negra,
homens negros, Nanas Negras.
Sempre foi uma cor importante
para mim.
Hoje, caminhando na praia,
observei uma pequena criança negra
de 5 ou 6 anos brincando com o pai.
Ele era tão fofo. Foi uma revelação.
O negro também sou eu agora,
com meu bisneto Djamal. Isto é novo,
e eu gosto disso.
Djamal é: francês, americano, vietnamita,
grego, belga, irlandês, inglês, africano,
escocês, russo, italiano, judeu, cubano.
= Americano
O negro também sou eu agora.
Comentário: o texto aborda temas de racismo, direitos das mulheres e situação política. Niki de Saint Phalle fazia parte da maioria (branca, ocidental, rica) e, por isso, sentia-se responsável por fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para mudar as leis. O punho negro com esmalte vermelho presente nesta obra sintetiza dezenas de lutas pelos direitos civis e representa uma rejeição pessoal à brutalidade de certos políticos. (Saint Phalle se opôs às políticas de Joseph McCarthy nos anos 1950, razão pela qual deixou os Estados Unidos; já nos anos 2000, também se posicionou contra George W. Bush).
Era sua maneira de dizer não à loucura da injustiça econômica, à ideia de que guerras, fome, escravidão infantil e genocídios pudessem ser aceitos como algo normal. O “não” de Saint Phalle não era apenas uma recusa: era um ato de criatividade, um gesto de poder absoluto.
Commentary: the text addresses themes of racism, women’s rights, and political correctness.
Niki de Saint Phalle was part of the majority (white, Western, wealthy) and therefore felt responsible for doing whatever she could to help change the laws. The black fist with red nail polish in this work encapsulates dozens of civil rights struggles and also represents a personal rejection of the brutality of certain politicians. (Saint Phalle opposed Joseph McCarthy’s policies in the 1950s, which led her to leave the United States; in the 2000s, she also took a stand against George W. Bush).
It was her way of saying no to the madness of economic injustice, to the idea that wars, hunger, child slavery, and genocides could be seen as normal. Saint Phalle’s “no” was not mere denial: it was an act of creativity, a gesture of absolute power.

(texto da esquerda para a direita)
Philip, meu filho, e sua esposa, Elizabeth, voaram de Nova York para me levar à casa dos pais dela. Eles não queriam que eu ficasse sozinha nas festas. Que Natal selvagem!
A família TISO é INTERNACIONAL. O pai de Elizabeth é de origem italiana parece escocês e é americano! Elizabeth, sua mãe Trudy, seu pai John e 2 dois irmãos bonitos
estavam COZINHANDO, GRITANDO,
se INSULTANDO – e aproveitando cada minuto.
A COMIDA ESTAVA MUITO BOA!
Massa maravilhosa. Cogumelos
Chianti.
Engordei quase 2 quilos estava tudo tão bom!
O strudel de maçã da Trudy. Trudy é austríaca.
EU NUNCA RI TANTO NA MINHA VIDA.
(texto como se fosse completar o vestido de Trudy)
Trudy é como
uma DIVA, maravilhosamente ÚNICA,
ouve Placido Domingo
e Pavarotti o dia todo,
Emocionalmente exuberante
Determinada, generosa
Enquanto comanda a família
e os amigos de forma grandiose
DRAMÁTICA e Bem-humorada.
Trudy gosta de se divertir e,
se as coisas ficam um pouco monótonas, imediatamente APRONTA
alguma travessura…
Ela também é uma GRANDE JOGADORA DE CARTAS. Sempre ganha!
Trudy e meu filho jogam cartas por pequenas apostas de 5 ou 10 dólares
até às 3 da manhã. Quem perde sai emburrado e
acusa o outro de trapacear. Não me surpreenderia se houvesse
um pouquinho disso acontecendo!
Trapaça? Cartas?
(texto entorno do desenho de Trudy na cama)
TRUDY, como um raio, adoeceu de repente. Trudy, nós precisamos de você. Eu preciso de você. Você traz para todos nós alegria e uma qualidade infantil que enriquece nossas vidas. O mundo precisa de mais Trudys. Não nos deixe. Nós te amamos.
Sem comentários/Without commentary

(texto à esquerda)
A Deusa da
Liberdade
Em sua mão direita
o fogo do CAOS
explosivo, criativo,
purificador
O livro? A Ordem?
Estou convencida
de que ela está ligada
ao Espírito do Tarô,
Rota, Tora.
Ela segura seu
Livro (Verbo) dos Segredos
Interiores em sua mão esquerda.
Será que o desvelar
(do que se trata a ordem interior)
me protegerá de ser
Consumida pelo Excitante
e Assustador Fogo do CAOS??
Quem é a DEUSA
da Liberdade?
A GRANDE
SACERDOTISA?
Ela me mostra como
IMAGINAR
a minha vida.
(texto à direita)
ORDEM E CAOS
estão unidos pelo Eterno
Movimento e Tempo?
Querido Diário, [relógio] março de 94, La Jolla
O que é o Tempo?
Tempo Passado, Tempo Presente, Tempo Futuro
Tempo Desconhecido. Todos os outros tempos
que não conheço.?
Ordem/Caos (eu sou o caos)?
O que veio primeiro?
Eles existem lado a lado??
Quero Controlar e Explicar
em vez de apenas Me Render
ao Mistério.
BANG! BANG!
Todo o meu Momento Criativo surge do CAOS.
PINTURAS EXPLOSIVAS
FOGOS DE ARTIFÍCIO, ARCO-ÍRIS EM CHAMAS
Comentário: essa passagem amplia o diário para um registro mais nitidamente mitológico e filosófico, no qual a reflexão pessoal se funde com a imagem simbólica. À esquerda, a “Deusa da Liberdade” aparece não como um emblema político, mas como um arquétipo místico. Ela segura, de um lado, o “fogo do caos” — ao mesmo tempo destrutivo, criador e purificador — e, do outro, um livro, entendido como “Verbo” ou repositório de segredos interiores, associado ao Tarô e à sabedoria esotérica. A tensão se dá entre o risco de ser consumida pelo caos e a possibilidade de encontrar proteção na ordem interior. A pergunta “Quem é a Deusa da Liberdade? A Grande Sacerdotisa?” articula a iconografia americana ao princípio feminino místico, apresentando-a como guia para a imaginação e o autoconhecimento.
À direita, o foco desloca-se para a oposição cósmica entre ordem e caos, mediada pelo tempo. O tempo aparece fragmentado em passado, presente, futuro e desconhecido, como um mistério que escapa ao controle racional. O tom diarístico (“Querido Diário, março de 94, La Jolla”) ancora as reflexões na experiência vivida, mas o pensamento se expande para questões universais: o que veio primeiro, ordem ou caos? Eles coexistem eternamente? A artista admite o desejo de controlar e explicar, mas reconhece que a criatividade nasce justamente da imprevisibilidade do caos: “Todo o meu Momento Criativo surge do CAOS. PINTURAS EXPLOSIVAS / FOGOS DE ARTIFÍCIO, ARCO-ÍRIS EM CHAMAS.”
No conjunto, o texto expressa o paradoxo do processo criativo: o medo e o fascínio pelo caos como ameaça e, ao mesmo tempo, fonte de inspiração; a ordem como possível salvaguarda; e o feminino divino como mediador entre as duas forças
Commentary: this passage expands the diary into a more overtly mythological and philosophical register, where personal reflection merges with symbolic imagery. On the left side, the “Goddess of Liberty” becomes a central figure, reimagined not as a political emblem but as a mystical archetype. She holds in one hand the “fire of chaos”—at once destructive, creative, and purifying—and in the other a book, interpreted as the “Word” or repository of inner secrets, associated with Tarot and esoteric wisdom. The tension here lies between the danger of being consumed by chaos and the possibility of finding protection in inner order. The question “Who is the Goddess of Liberty? The High Priestess?” links American iconography with the mystical feminine principle, presenting her as a guide to imagination and self-knowledge.
On the right side, the focus shifts to the cosmic opposition of order and chaos, mediated by time. Time itself is fragmented into past, present, future, and the unknown, becoming a mystery that eludes rational control. The diaristic tone (“Dear Diary, March 94, La Jolla”) anchors these reflections in lived experience, yet the thought expands toward universal questions: which came first, order or chaos? Do they coexist eternally? The artist admits a desire to control and explain, while acknowledging that creativity emerges precisely from the unpredictability of chaos: “All my creative moment come out of CHAOS. EXPLODING PAINTINGS / FIREWORKS FLAMING RAINBOW.”
Overall, the text expresses the paradox of the creative process: fear and fascination with chaos as both threat and source of inspiration, order as a possible safeguard, and the feminine divine as mediator between the two.

(textos principais, acompanhados por números em vermelho)
QUERIDO DIÁRIO
Sem comentários adicionais/Without commentary

Querido Diário
SHAMU!
ORCAS
BALEIA ASSASSINA
(texto acompanhando as ondas, de cima para baixo )
Assisti a um espetáculo de tirar o fôlego no Sea World.
Visões de Jonas e a Baleia — LENDAS indígenas.
Moby Dick atravessava meus pensamentos: as baleias irradiam um
poder fatal tremendo.
Os treinadores eram mulheres. Amazonas sexys e atraentes. EROS
e THANATOS.
A Bela e a Fera. Entre eles, percebi uma relação íntima e perigosa…
As treinadoras dominavam e manipulavam essas criaturas gloriosas,
ordenando que saltassem e mergulhassem.
Havia sempre uma ameaça latente. Um pequeno erro podia ser fatal.
Parece que, alguns anos atrás, uma treinadora foi DEVORADA!
QUEM é SHAMU?
Enigmático, forte, estranho.
Shamu sou eu? Não!
Ele é meu Potencial Criativo Destrutivo,
meu eu metafísico.
Ele é meu Guardião e meu Carcereiro,
meu elo com o DESTINO.
Comentário: esta obra narra a história trágica da primeira orca apresentada ao público em um parque aquático de San Diego. Capturada em 1965, foi imediatamente vendida ao SeaWorld de San Diego e morreu em cativeiro em 1971 de septicemia. No mesmo ano, a orca ganhou as manchetes ao ferir gravemente um funcionário do parque que havia caído em sua piscina. Duas décadas mais tarde, Niki de Saint Phalle visitou o parque, onde o nome Shamu ainda ressoava. Lá, assistiu — fascinada — a um espetáculo aquático conduzido por uma jovem treinadora, que ela interpretou como a encenação de Eros e Thanatos.
Niki de Saint Phalle comparou essa criatura magnífica e cativante ao seu próprio potencial criativo destrutivo. Traçou linhas evocando ondas — mais próximas do oceano do que de uma piscina limitada — e dentro delas escreveu: “Quem é Shamu? Enigmático, forte, estranho. Shamu sou eu? Não! Ele é meu potencial criativo destrutivo, meu eu metafísico. Ele é meu guardião e meu carcereiro, meu elo com o destino.”
Commentary: This work tells the tragic story of the first orca presented to the public in a San Diego water park. Captured in 1965, it was immediately sold to SeaWorld San Diego and died in captivity in 1971 from septicemia. That same year, the orca made headlines for severely injuring a park employee who had fallen into its pool. Two decades later, Niki de Saint Phalle visited the park, where the name Shamu still resonated. There, she watched — fascinated — an aquatic performance led by a young trainer, which she interpreted as a staging of Eros and Thanatos.
Niki de Saint Phalle compared this magnificent and captivating creature to her own destructive creative potential. She drew lines evoking waves — closer to the ocean than to a confined pool — and within them she wrote: “Who is Shamu? Enigmatic, strong, strange. Am I Shamu? No! He is my destructive creative potential, my metaphysical self. He is my guardian and my jailer, my link with destiny.”
Praça da Liberdade, nº10, Funcionários | CEP: 30140-010 | Belo Horizonte/MG - Brasil
Tel: +55 (31) 3289-8900
Horário de funcionamento: terça a sexta-feira, das 10h às 21h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h
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