Texto curatorial

Texto curatorial

por Henrique Menezes

Pensar a contemporaneidade como uma trama caótica de acontecimentos e sensações conflitivas nos leva à ideia de vertigem. E é justamente essa desordem exponenciada que dá tônus à pintura de Talita Hoffmann: ao capturar microinstantes exacerbados por cenas sobrepostas e ruidosamente cognoscíveis, a artista nos apresenta um universo pop-apocalíptico em slow motion.

À frente, encaramos uma agitação incessante de partículas cristalizadas na composição de uma única imagem: cada tela mostra-se um twister de desalento e fervor, um registro tão nítido quanto simbólico da aceleração. Em sua segunda exposição individual em Belo Horizonte — apresentada agora na Casa Fiat de Cultura —, a artista gaúcha convoca arquiteturas em ebulição, descortina cenários anárquicos e revela uma atmosfera tomada por escombros à semelhança de ruínas.

Entre o caos e a ventania, há nas alegorias de Talita Hoffmann um sintoma de falência: diante da perda de alicerces ou de um referencial cristalino, restam estilhaços, fraturas e abismos.

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Atendimento acessível sob demanda, mediante disponibilidade da equipe.

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