Nesta exposição, a Praça da Liberdade foi o tema lançado como um desafio a narrativa. Não para ser retratada tal como é, mas como poderia ser sonhada, traduzida, tensionada e reinventada por dois olhares. Olhares que, embora distintos em técnica e linguagem, convergem em seus trabalhos a delicadeza da investigação visual e a poética de suas memórias.
Andréa Vilela, com sua apurada sensibilidade formal, se vale da aquarela como meio de expressão. Em suas composições, as transparências se sobrepõem em veladuras que sugerem silêncios e atmosferas. A escolha dessa técnica fluida e etérea, porém disciplinada, revela não apenas uma opção estética, mas uma atitude poética, a de não fixar a imagem, mas deixá-la emergir aos poucos, como quem recolhe traços dispersos de uma lembrança em mutação.
Mirella Spinelli, por sua vez, encontra nas cores em sobreposição, aplicando sua técnica entre o óleo e tinta acrílica, um território de elaborada experimentação. Seus gestos são mais corpóreos, densos, e traduzem um mapeamento emocional feito de camadas e vestígios. Seus traços coloridos não descrevem a cidade, eles a constroem afetivamente, como se a arquitetura brotasse do contato entre tinta e imaginação.
O ponto de encontro entre ambas está na forma como elaboram, com rigor e liberdade, uma cartografia criativa e cheia de invenções. Não se trata de representação documental, mas de ensaios visuais construídos a partir da memória, ora pessoal, ora herdada das visualidades da Praça da Liberdade e seu entorno. São fragmentos afetivos recolhidos em caminhadas, ressoados por vivências familiares, e moldados por um saber artístico que une intuição e estudo formal.
A exposição se configura como uma deriva entre o que foi visto e o que se lembra. As fachadas dos prédios, as árvores, a luz no chão ou os vazios entre construções, tudo é matéria para a invenção. As obras aqui reunidas não pertencem à cidade como registro, mas como gesto criador, como forma de capturar aquilo que, por vezes, escapa ao olhar apressado. E é neste o instante que a cidade se torna íntima.
Assim, Andréa e Mirella desenham paisagens que não se percorrem com os pés, mas com o afeto. Nos convidam, como espectadores, a caminhar por entre imagens que, embora inventadas, nos parecem estranhamente familiares.
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